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Transcrição das Memórias Paroquiais a Sintra e seu termo (1758):

“(…) O sitio, em que estâ esta freguesia he hum lugar chama-/do de S. Pedro de Pennaferim, no alto da Calsada, que vay p.ª a Villa / de Cintra; e he governado pelas justiças da mesma Villa, da qual distará a sexta parte de huma legua.(….) Com poemse esta freguezia dos Lugares seguintes S. Pedro / de Pennaferim, que se compoem de 62 jogos em que habitão 248pe/ssoas; o Lugar do Linho, (…) o lugar da Ribeira da Penha Longa; (…) o lugar de Beloura (…); o lugar de Caparota (…); o lugar dos Bernardos(…); o lugar da Brunheira, que se compoem de 17 fogos, em que rezidem 51 pessoas (…)”

Toda a informação que se transcreve a seguir foi retirada das Obras de José Alberto da Costa Azevedo-V, Memórias do Tempo.

Cemitério da Charneca

Este cemitário, que também foi conhecido por cemitério do Campo da Lebre, situava-se num terreno abaixo de Ranholas que fica por detrás do chafariz que ali existe, possivelmente, de construção anterior.(…) não se vislumbra qualquer vestígio de ter ali existido um cemitário, nem sequer da capela, a qual é referida em vários documentos.

A confirmar a existência de uma capela, temos a acta de reunião camarária de 30 de Abril de 1857, que diz:” Que tendo a Câmara feito vistoria à obra da Ermida do cemitério da Charneca, reconheceu ser indistensável a construção de mais uma casa em tudo igual à sacristia, a qual ficou logo justa com o arrematante daquela obra por mais setenta mil reis que por forma fica aprovada.”(…)

A acta de reunião da edilidade, de 23 de Setembro de 1857 diz que foi deliberado que se “officie ao Reverendo Vigario da Vara para dar as providencias necessárias afim de ter lugar a Benção do cemitério da Charneca e das Imagens para o mesmo”.

(…) Não encontrei o auto da benção e, sendo de admitir que nenhum enterramento se faria sem a prévia benção, de admitir é, também, que o cemitério se inaugurou em 14 de Outubro de 1857.

” Em 18 de Agosto de 1858, foi deliberado que se procedesse a pequenos arranjos na Ermida do cemitário da Charneca, e se plantem no mesmo cemitário alguns ciprestes e arbustos, fazendo-se quanto possível a limpeza e aformozeamento do mesmo, sendo eu secretário do encarregado.

Não sei se foram feitas a plantação de ciprestes e arbustos. Hoje nada existe.

Na reunião camarária de 3 de Março de 1859 foi lido um ofício da Administração do Concelho, chamando a atenção da Câmara para o estado em que se encontrava a ermida e o cemitério da Charneca. Não faz qualquer referência aos factos que originaram a feitura do ofício.

A Câmara deliberou marcar o dia 16, quarta-feira, para, antes da reunião, fazer uma inspecção ao cemitério, com intervenção de um mestre de obras.

No dia marcado foi, efectivamente, feita a diligência deliberada(…) na acta pode ler-se:

Tendo a Câmara inspecionado hoje o cemitário da Charneca e reconhecendo as dificuldades de continuarem alli os enterramentos já pela má qualidade do terreno que é pedregoso e barrento dificil de consumir os corpos, já pelo mau estado da Ermida; delibera-se que na 4ª frª 23 pelas dez oras (sic) se inspecione o Cemitério de S.Sebastião afim de conhecer-se se a área offerece a capacidade necessária para alli serem enterrados os cadaveres da freguezia de São Pedro – ou augmentando para esse fim.

Na acta do dia 23 consta o seguinte:

Tendo a camara examinado o cemitério de S.Sebastião conheceu que o mesmo tem a capacidade necessária para alli terem lugar os enterramentos de freguezia de S.Pedro de Penaferrim(…) Cessando por esta forma desde já os enterramentos no cemitério da Charneca, o qual será todavia conservado para o caso d’alguma epidemia(…)

Documentos antigos referem-se ainda a um cemitério de Vale de Porcas. Seriam dois cemitários muito próximo um do outro.(…)

O de Vale de Porcas existiu próximo deste lugar, nas trazeiras do conhecido chafariz da Charneca, um pouco abaixo de Ranholas. Daqui se tira a conclusão de que o cemitário da Charneca era também conhecido por do Campo da Lebre e de Vale de Porcas

O cemitério da Charneca foi benzido em 14 de Outubro de 1857 e, a suspensão de enterramentos, foi ordenada a 16 de Março de 1859.

Não durou dois anos!

A título de curiosidade, o cemitério de S. Sebastião situava-se atrás da cadeia Comarcã (onde é hoje a GNR- Sintra), numa área que abrangia toda a encosta entre as ruas João de Deus e das Murtas.”

E assim ficamos a saber que em tempos muito remotos o cemitério era muito próximo da Abrunheira.

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Se tiverem mais informações e algumas imagens sobre a história da Abrunheira, enviem para o email mail@abrunheira.net

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